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Os sete pecados capitais do twitter: memorize o código de ética e não caia em tentação
De Xuxa – que se estranhou com sua legião de fãs tão rápido quanto arrebanhou seguidores – ao funcionário que perdeu o emprego por torcer por seu time – por coincidência, adversário do time patrocinado pela empresa onde ele trabalhava. Nem famosos, nem anônimos estão a salvo dos pecados do Twitter.

Como toda rede social, o sistema de microblogging, que há um mês atingiu a marca de 100 milhões de usuários, tem seu próprio código de etiqueta – e, por consequência, seus deslizes mais clássicos. Conversamos com especialistas que indicaram os sete pecados capitais do Twitter.

A ira: não sei lidar com brincadeiras e críticas

Uma vez criado seu perfil, está aberta uma frente de relacionamento com as pessoas. É preciso ter senso de humor para lidar com críticas, brincadeiras e com o retorno dos leitores. Se essa qualidade está em falta, melhor nem criar uma conta. “Qualquer pessoa pode zombar de algo que você escreveu, sacanear sua foto de perfil e fazer uma paródia da sua biografia”, diz Edney Souza, diretor de operações da Polvora! Comunicação, consultoria especializada em mídias sociais. “Se você não sabe lidar com isso, então é melhor não brincar com o Twitter”.

A apresentadora Xuxa, cujo último tweet data exatamente de um mês depois do inaugural, que o diga: a celebridade abandonou o Twitter depois que seus seguidores apontaram um erro de português (ela escreveu cena com s) cometido por Sasha em um dos posts.

A inveja: quero mais seguidores que as celebridades
Não bastasse ser casado com a Demi Moore, o ator americano Ashton Kutcher ainda contabiliza outro motivo de olho gordo: ele tem nada menos que 4.907.901 seguidores no Twitter (até o momento desta reportagem). No entanto, para as pessoas comuns como eu e você, o Twitter não é uma corrida por fãs.

 “Ter seguidores é legal, são mais pessoas que te respondem e interagem contigo”, admite Edney. “Mas se você não for o Ashton Kutcher ou a Britney Spears, é melhore desencanar do número de seguidores e se focar na qualidade da relação com eles”, aconselha.

A luxúria: confundo o espaço público com o espaço privado

Nem todos os seus seguidores estão interessados em saber, todos os dias, o que você comeu no almoço – muito menos como foi sua noite anterior. “A confusão entre o público e o privado é muito comum nesta cultura de imediatismo”, diz Elizabeth Saad Corrêa, professora da Escola de Comunicações e Artes (USP) na área de Jornalismo, Internet e Sociedade.

Não se esqueça de que, apesar de aparentemente protegida pela tela do computador, você está vulnerável a todos que a seguem – e aos seguidores dos seus amigos, e a muito mais gente – sempre que registra um comentário qualquer. “É preciso saber se comportar em um espaço público, onde você não faz coisas que não faria fora da sua casa”, ensina Elizabeth.

A vaidade: quero aparecer mais que todo mundo

Pegue leve no número de fotografias postadas. Sua imagem (ainda) é um bem privado e há limites para torná-la pública. Na opinião de @oCriador, personagem popularíssimo que se identifica no Twitter como Deus, existe a pior das poses. “O pecado mais preocupante é a infração ao 11º mandamento: ‘Não postarás foto fazendo biquinho na internet'”, brinca. “Além de vocês desonrarem seus pais, ficam adorando essas imagens ridículas, o que é veementemente proibido”. @oCriador, que também mantém o blog Sac Divino , recomenda aos usuários que abandonem este tipo de foto. “Procure algo mais proveitoso para fazer com a vida que lhes dei”.

A avareza: posto somente anúncios de venda

Se você criou um perfil, ainda que seja para divulgar seus produtos ou serviços, não se esqueça de complementar com alguma produção de conteúdo, ou pelo menos com indicações de links e conteúdos interessantes para seus clientes. “Experimente conversar no twitter, ao invés de só agir como um feirante”, sugere Edney Souza.

A preguiça: escrevo tudo errado

Na pressa que pontua a maioria das comunicações via internet, poucos pensam em uma revisão – ainda que rápida – da mensagem que acabou de escrever. O resultado? Erros de toda espécie – da digitação à ortografia, passando por problemas de contexto. “O pior pecado do Twitter é o total desleixo com a língua, seja em qual idioma for”, elege Anderson da Silva Vieira, autor do livro “Twitter – Influenciando Pessoas & Conquistando o Mercado” (editora Alta Books).

“Uma postagem no seu perfil, por mais simples que seja, pode lhe trazer sérios problemas – até mesmo perder uma vaga de emprego, já que muitos recrutadores buscam o perfil do candidato no Twitter e em outras redes, para obtenção de mais informações e análise do candidato”, alerta ele, que recomenda diminuir a quantidade de postagem e trabalhar mais na qualidade delas. “Com isso, seus seguidores perceberão que você está, digamos, evoluindo”, conclui.

Achou um link legal e quer compartilhar? Tenha a delicadeza de tecer algum comentário a respeito. Gabriela Zago, mestranda em Comunicação e Informação e uma das autoras do blog Twitter Brasil, recomenda que o conteúdo guardado na URL compactada seja minimamente descrito, ainda que em uma palavra. “Também não é legal postar um link com um comentário genérico, do tipo ‘que legal’ ou ‘divertido'”, ensina.

 A gula: vivo devorando a produção alheia

A ferramenta oferece a possibilidade de “retwitar” – ou seja, copiar em seu perfil um post de outra pessoa – com apenas um toque. Embora o crédito seja dado, viver só de conteúdo dos outros – ou twitar exageradamente, contando a cada vez que você se levanta da cadeira para comer – é bola fora. “Postar eventualmente coisas interessantes é legal. Postar 100 tweets num período de 10 minutos só inunda a timeline dos outros”, diz Gabriela. Há diversas estratégias para evitar o exagero: “pensar antes de twitar, manter um foco temático, distribuir os tweets ao longo do dia”.