“monstros letais à frente” / trecho final de uma ciclovia em São Francisco

Quem já utilizou uma bicicleta na cidade ou dedicou dois neurônios e um par de minutos ao assunto sabe que a maior dificuldade enfrentada pelo ciclista urbano não é a topografia desfavorável, o clima ou as distâncias, mas sim o difícil compartilhamento das ruas com os veículos motorizados.

Contornar a “agressividade do trânsito” (inclusive em subidas ou nos dias de chuva ou sol forte) é o maior desafio de quem utiliza a bicicleta para ir e vir.

Para sobreviver ao individualismo e à pressa dos pilotos em bolhas motorizadas de velocidade potencial castrada, o ciclista urbano é obrigado a desenvolver técnicas de auto-preservação: buscar caminhos mais longos e livres máquinas, utilizar calçadas ou até pegar pequenos trajetos na contra-mão para fugir de uma avenida.

Com o objetivo de mapear as situações de maior risco, o ciclista Marcelo Mig criou uma pequena enquete digital que pode ser respondida aqui. Os resultados serão divulgados em breve.

incidente na ciclofaixa / foto: matias

A bicicleta é um veículo leve e que circula em velocidades humanas, portanto não oferece riscos significativos a seus utilizadores nem aos demais ocupantes das ruas. Em cidades livres da velocidade motorizada, bicicletas e pedestres conviveriam tranquilamente.

Na cidade congestionada, vítima da carrocracia que se arrasta há décadas, a pergunta mais frequente para quem usa bicicleta é “mas não é perigoso?”.

Andar de bicicleta não é perigoso. Perigosos são os carros fabricados e vendidos com a promessa de deslocamento instantâneo, perigosa é a transformação objetos de transporte em ícones de status e poder, a falta de educação e a impunidade de quem mata no trânsito.

Contestar o perigo é a tarefa das cidades que querem se livrar do genocídio e do abandono de seus espaços públicos. Sobreviver de maneira crítica e exercer a cidadania sem colocar a própria vida em risco é o caminho do ciclista urbano.