De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), no primeiro semestre de 2009 foram registradas 29 mortes de ciclistas no trânsito. por Fernanda Rodrigues/Band

Usar a bicicleta ao invés de carro, além de ser uma alternativa barata e saudável, também contribui para a redução na emissão de poluentes em grandes centros urbanos como São Paulo.

    Diego Rojas, 25, é um artista gráfico que usa a bicicleta como principal meio de transporte desde os 15 anos de idade. Ele pedalava por cerca de 6 km até a escola onde estudava e hoje, roda até 10 km.
    “Os maiores problemas ainda são as ruas que não estão adequadas para os ciclistas, os motoristas também não colaboram e muitas vezes nos tratam como motoboys, fechando de propósito”. Apesar de cuidadoso Diego já sofreu quedas em vias de movimento.
    “A situação do ciclista ainda não é a ideal como nos países da Europa, que o uso da bicicleta já algo cultural. Mas aos poucos, bem aos poucos, pude notar uma melhora na situação. A galera está mais consciente, usando o capacete, e algumas mudanças no trânsito também foram positivas”. Completa.
    O ciclista acredita que o uso da bicicleta como principal meio de transporte ou como transporte complementar, pode ser uma questão de consciência política e ambiental, além de ser saudável para quem vive em grandes cidades e muitas vezes não tem tempo de praticar uma atividade física.

Acidentes
    O ciclista Hamilton da Conceição, 46, foi atropelado no último domingo, quando pedalava pela ciclofaixa que liga os parques do Povo e Ibirapuera, na zona sul de São Paulo.
    Hamilton foi atingido por um carro que passava pela região e havia feito uma conversão proibida. O ciclista foi levado para o hospital e recebeu alta no mesmo dia.
    De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), no primeiro semestre de 2009 foram registradas 29 mortes de ciclistas no trânsito. O número é menor do que o registrado no mesmo período de 2008 mas ainda pode melhorar.

Viabilidade
    Com a esperança de tornar viável o uso da bicicleta em São Paulo, a ONG Parada Vital começou em 2007, em parceria com a seguradora Porto Seguro, a rede de estacionamentos Estapar, e com a SMT (Secretaria Municipal de Transportes) a oferecer o serviço de empréstimo de bicicletas em diversos pontos da cidade. Para saber como funciona o sistema acesse o site da Parada Vital.
    O presidente da ONG, Ismael Caetano, 42, relatou que a idéia de tornar a bicicleta um transporte complementar e viável, surgiu de uma conversa com o secretário do Verde, Eduardo Jorge.
    ”Um dos problemas crescente do trânsito em São Paulo, é o aumento do volume de carros nas ruas. Mesmo com rodízios e medidas para frear o aumento da poluição, sempre aparecem novos meios para suplantar isso. Pelo menos 20% dos motoristas na cidade têm um segundo carro”.
    De acordo com Ismael, as coisas não mudam de uma hora para a outra. Medidas como a ciclovia inaugurada na Marginal Pinheiros no último sábado, são frutos da luta de cicloativistas que reivindicam melhores condições para quem pilota as magrelas há pelo menos 30 anos.
    ”A construção de ciclovias é muito importante, mas falta segurança. Muitos prédios comerciais e shoppings não possuem estacionamento para bicicletas. O que está acontecendo é uma evolução silenciosa. O poder tem que cobrar a execução da lei que já existe”, completa.
    Desde setembro do ano passado até março desse ano, foram realizados 43.760 empréstimos de bicicletas pela ONG.  A SMT (Secretaria Municipal de Transportes) anunciou que até o final do primeiro semestre de 2010, São Paulo deve ganhar mais 45 km de circuitos cicloviários.
    As áreas que receberão as ciclovias foram determinadas em pesquisas que apontaram regiões da periferia, onde o uso da bicicleta como meio de transporte é maior.
    As regiões determinadas pelo estudo foram: Jardim Helena, na zona leste, Jardim Brasil, na zona norte, Grajaú e Cocaia, ambos na zona sul da cidade.
    Atualmente há 33 bicicletários em operação nas estações de metrô, trens e EMTU. Destas, 15 estão no metrô, 14 nas estações da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e quatro em terminais da EMTU.